Mundo Segundo

A 31 de Maio, Mundo Segundo apresentou o seu 2º álbum no Hard Club no Porto. Passados 8 anos de S.O.M, trouxe-nos Segundo O Ancião. Todos sabem que sou apaixonada pelo hip-hop, pela maneira que me toca e pelo que representa na minha vida. Ao consumir histórias de outras pessoas – acaba por ser um pouco isso-, sinto que elas passam a fazer parte também da minha história. Naturalmente fui adquirindo conhecimento vasto que me foi permitindo discutir o assunto ou até mesmo fazer comparações. As minhas preferências, deixei-as sempre bastante claras. Desde que descobri os Dealema, tudo à minha volta passou a ter outro sentido. Até ao dia em que descobri o Mundo. É claramente inegável o seu talento. As pessoas costumam tentar sempre eleger os melhores do movimento em Portugal. E acho bem que o façam, desde que saudavelmente. No que toca ao hip-hop, apontamos quase sempre Sam The Kid e Valete, e os outros acabam por divergir bastante, até porque existem muito bons talentos a surgir agora. No entanto, as minhas preferências não se baseiam apenas na qualidade em si. O talento, quando existe, é inegável. Mas existe uma outra coisa, que acaba por ser o que sinto e que faz ter a minha preferência. Reconhecimento. Sempre que oiço os versos do Mundo não tenho como não identificar-me de alguma maneira. Um sentido lírico muito apurado, muito conhecimento, muitos estilos musicais, muitas vivências, fazem com que um homem, passados 20 anos consiga viver da música. Isso hoje em dia não é fácil para nenhum músico. Mas é ainda mais difícil para alguém que se encontra na cultura Hip-hop. Sinto-me grata por os Dealema alguma vez terem cruzado na minha vida. Sinto-me grata por ter tropeçado, por me ter perdido e encontrado vezes sem conta na poesia do Edmundo. Já dizia o Valete: “ tavam todos concentrados, perplexos, embasbacados, a ver os resultados do Mundo e os versos silábicos. Mundo, ninguém percebia onda a rima caía. Mundo, transformava palha em poesia. Bem antes da banalização e dos morangos, bem antes da fama e do cifrão ser importante. Bem antes do Sá leão, do Melão e do Sandro, quando era só skills, transpiração e sangue”. Muitas das vezes encontrei soluções para os meus problemas. Se a música resolve problemas? Sim, quando elas são um pouco de ti e tu um pouco delas. Como diz o Fuse e muito bem: “Retrato o terror da paisagem num poema, o meu amor nasceu num concerto de Dealema. A tempestade é intensa mas a chama ainda acende. Para sempre é muito tempo, eu quero amar-te no presente”. É aqui que bates contra a parede e percebes quando as histórias dos outros passam a ser também a tua história. Quando o amor nasce. E quando partilhas a mesma paixão por alguma coisa.

Em breve, deixarei por aqui reflexões sobre cada uma das faixas do novo álbum. De mim para mim.

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