A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón; O Décimo Terceiro Conto de Diane Setterfield;

Mais um livro que está a lutar pelo lugar do pódio no meu coração. A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, veio a revelar-se uma obra fantástica. Daquelas previsíveis e ao mesmo tempo completamente imprevisíveis, que nos fazem oscilar entre a surpresa e o óbvio. Dei por mim a reparar que o impacto do livro não foi imediato. Após me deitar na cama, já de madrugada, surpreendi-me com lágrimas a escorrerem-me pela face. Apercebi-me da quantidade de coisas que, ao estarem escritas neste livro, conseguiam cruzar-se com alguns acontecimentos da minha vida. O morrer e o renascer tão próximos, e tão reflexos do meu eu. Como diria uma das personagens deste livro: «A arte de ler está a morrer muito lentamente. É um ritual íntimo. Um livro é um espelho e só podemos encontrar nele o que já temos dentro. Ao ler, aplicamos a mente e a alma e estes são bens cada dia mais escassos». Começo a aperceber-me que não existem livros predilectos. Que não existe o melhor de todos. Quando a certa altura nos damos conta que o livro é o nosso reflexo no espelho, esse livro já se apoderou da nossa alma. E apodera-se mesmo. Atingi uma fase em que tenho muitas preferências, e muitos livros predilectos. Pois todos os que se apoderaram da minha alma, lutam pelo lugar no pódio. Uns mais intensos que outros, mas ainda assim lutam. Mas não conseguem, porque sem darem conta já todos pertencem ao meu coração. O livro que li antes d’A Sombra do Vento, foi também uma autêntica surpresa. Encontrava-me a vaguear por uma livraria quando o livro se cruzou comigo. Após este encontro inesperado, não tive outro remédio senão trazê-lo comigo. E ainda bem que o fiz. O Décimo Terceiro Conto, de Diane Setterfield revelou-se um autêntico mistério que tocou igualmente o meu coração.

Daniela Teixeira

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«Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo – não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos-, vamos regressar. »

A Sombra do Vento

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