8.

Sou estranha. A cada dia que passa tenho mais essa noção. E os meus sonhos conseguem ser mais estranhos ainda. Ultimamente acordo a chorar baba e ranho, e penso: se eu tivesse uma câmera que me gravasse durante a noite, até ía ter medo de ver a cassete. Aqui há uns tempos acordei lavrada em lágrimas. Sonhei que tinha acabado de perder o concerto do Lenny Kravitz porque tinha ficado no mesmo festival, a ver a Rihanna com as minhas tias. Ora, isto é estúpido. A parte do Lenny é perfeitamente compreensível mas.. Rihanna? Ora poupem-me! Eu detesto-a. Porque é que haveria de ter ficado a assistir a um concerto dela? Os sonhos conseguem ser racionais e irracionais ao mesmo tempo. Esta noite, sabe-se lá porquê (até porque não me lembro de ter sequer pensado nisto nos últimos tempos), sonhei com a minha turma da primária. Eu não vivi sempre em Queluz. Fiz a primária em Odivelas onde vivi, e depois fiz os restantes anos aqui. Acontece que essa mudança, na altura para ajudar uns familiares, foi um pouco traumatizante para mim. Traumatizante talvez seja um termo demasiado forte para descrever a situação, mas foi uma fase que me custou imenso. As pessoas que sempre tinham estado do meu lado, íam continuar juntas. E eu teria simplesmente de mudar de cidade, fazer novas amizades e lidar com novas caras. Mas foram tempos difícies. Essas pessoas viveram, mesmo após a quantidade de anos que passou, sempre em mim. Ainda hoje vivem e mantemos contacto, mas já não penso tanto nisso. Hoje não mudaria nada. Agora esta treta de chorar desalmadamente nos meus sonhos e por sua vez também na realidade, não dão com nada. Esta noite sonhei que estávamos todos em Famões num reencontro e que os meus pais me tinham obrigado a vir embora sem sequer me puder despedir e sem sequer ter visto todas as pessoas, apenas algumas. Acordei baba e ranho! Foi um sonho estúpido. Muito estúpido. Os meus pais nunca me fariam isso. Mas ok, é apenas um sonho.  Mas é engraçado como depois de tantos anos, aquela cidade e aquelas pessoas ainda se encontram presentes em mim. Sem sequer ter pensado nesse assunto nos últimos tempos, ele veio de encontro aos meus sonhos. Como se tivesse de passar por toda aquela situação uma segunda vez. Mas deixando os meus sonhos de lado, ontem um amigo meu tinha um encontro marcado em Picoas e pediu-me companhia. Apanhámos o comboio em Queluz por volta das 21.30h, saímos em Benfica, fomos a pé até ao Colégio Militar, apanhámos o metro até ao marquês e de seguida até Picoas. Chegámos a Picoas, o homem tinha-se ido embora. Óptimo! Dinheiro e tempo gastos em vão. Adoro! É a minha rotina 🙂 E agora é hora de ir ver a selecção a acabar com a Holanda. Confesso que não vibro muito com a selecção (não vibro da mesma maneira que vibro com o meu Benfica, chamem-me o que quiserem mas não há sensação igual aquela, mas óbvio que quero ganhar!). Por isso, hoje está cá a família toda incluíndo o Rodrigo e a Andreia.

 

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4 respostas a 8.

  1. marie rv diz:

    Quanto aos sonhos, junta-te a mim. Há uns meses acordava todas as noites aterrorizada com o mesmo pesadelo. Era sempre o mesmo. E acordava aos gritos mesmo, e a chorar. Cheguei a ter de dormir acompanhada. Desde que vim para Lisboa isso só aconteceu uma vez, vá la…
    E a parte da mudança… Como eu entendo, só eu sei o que passo desde que me mudei. Claro que fiz novos amigos, mas não é a mesma coisa que os de anos que sempre tive.
    Enfim, it’s life x)

    • É sempre difícil porque deixa marcas profundas. Quando achamos que já nos é indiferente (porque a repetição cria o hábito), surge algo que nos evidencia que certa e determinada coisa ainda vive em nós. Claro, tudo tem os seus prós e contras. E não tenho duvidas de que não seríamos as mesmas pessoas se não tivessemos passado por tudo isso. Mas pronto, teremos de viver com isso. No teu caso foi muito mais complicado. No teu caso podemos mesmo falar no factor distância. No meu caso, sempre posso dar um saltinho a Odivelas. Embora certas pessoas secalhar não tenham a mesma vontade que eu…

      • marie rv diz:

        Sim, sempre o podes, mas nunca mais é a mesma coisa, não é? Mas pronto, we just gotta learn to live whit[out] it 🙂

  2. Nunca mesmo. E eu nunca consegui perceber isso.*

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