Invicta

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O mundo gira na sua órbita.

A chuva cai no seu esplendor.

 Amena. Suave.

Entre quatro paredes a música toca.
Ininterruptamente. Rápida.

Numa perfeita repetição.

O vento sussurra nos meus ouvidos como gritos adormecidos.

Imploram a minha presença. Consequentemente.

Uma cidade perdida. Invicta.

As pedras da calçada que suportam os meus pés.
Já cansados.
Sem força.
Corro. Perdidamente.

Sigo o odor do rio.

Da brisa que chama.

A Ribeira que me afoga.

A ponte que me segura.

A cidade que me ama.

Uma voz chama por mim. Eufórica. Calorosa. Meiga.

Quantas notas musicais tem o Mundo?
És a oitava.
Só tu…

Invicta.

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Restrospectiva de Um Amor Profundo

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Percebi, ontem, que a nossa história se afogou no silêncio. Foi também ontem que coloquei o peso da minha vida numa balança. Foi ainda ontem que 70% desse mesmo peso tombou para o teu lado. Fiz uma retrospectiva das minhas emoções e… sinceramente são demasiado profundas para terem espaço numa folha de papel. É horrível a sensação de não haver nada para dizer. Tudo ficará dito, eternamente, num mar de silêncios que ditou o fim. Faltam tantas peças no nosso puzzle que refazê-lo seria impossível. Mas acho que sempre faltou. Mas haverá sempre uma força interior que me levará na tua direcção. Foi por ela sempre ter existido dentro de mim que nunca deixei de olhar para trás e persisti.

Hoje desisto.

Não é que essa força tenha desaparecido. Porque essa força, por muito que volte a amar outro corpo, é o meu zahír. Desisto porque não há nada que tenhamos a dizer.

Afogámo-nos no silêncio do nosso amor.

E foi isso que o matou.

 
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Em muitas ocasiões me senti sozinha. Mas hoje sinto-me absolutamente só. Existe uma diferença nestes dois termos que só hoje consegui compreender.
Perdi algumas coisas, ganhei outras tantas. Como seria de esperar de uma vida como a que levo. Como seria de esperar da vida que todos, sem excepção, levamos. Mas a verdade é que, a cada vez que te afastas, perco um pouco mais de mim. Para longe. Cada vez mais longe. Há anos que sinto isto a acontecer. Apoderaste-te de mim. Sem qualquer tipo de piedade.
És a história que nunca acaba. A que nunca acaba.
A solidão é a unica morte que a vida ensina.
Sinto-me sem ti.
Sinto-me sem mim.
Sinto-me só.

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Mundo Segundo

A 31 de Maio, Mundo Segundo apresentou o seu 2º álbum no Hard Club no Porto. Passados 8 anos de S.O.M, trouxe-nos Segundo O Ancião. Todos sabem que sou apaixonada pelo hip-hop, pela maneira que me toca e pelo que representa na minha vida. Ao consumir histórias de outras pessoas – acaba por ser um pouco isso-, sinto que elas passam a fazer parte também da minha história. Naturalmente fui adquirindo conhecimento vasto que me foi permitindo discutir o assunto ou até mesmo fazer comparações. As minhas preferências, deixei-as sempre bastante claras. Desde que descobri os Dealema, tudo à minha volta passou a ter outro sentido. Até ao dia em que descobri o Mundo. É claramente inegável o seu talento. As pessoas costumam tentar sempre eleger os melhores do movimento em Portugal. E acho bem que o façam, desde que saudavelmente. No que toca ao hip-hop, apontamos quase sempre Sam The Kid e Valete, e os outros acabam por divergir bastante, até porque existem muito bons talentos a surgir agora. No entanto, as minhas preferências não se baseiam apenas na qualidade em si. O talento, quando existe, é inegável. Mas existe uma outra coisa, que acaba por ser o que sinto e que faz ter a minha preferência. Reconhecimento. Sempre que oiço os versos do Mundo não tenho como não identificar-me de alguma maneira. Um sentido lírico muito apurado, muito conhecimento, muitos estilos musicais, muitas vivências, fazem com que um homem, passados 20 anos consiga viver da música. Isso hoje em dia não é fácil para nenhum músico. Mas é ainda mais difícil para alguém que se encontra na cultura Hip-hop. Sinto-me grata por os Dealema alguma vez terem cruzado na minha vida. Sinto-me grata por ter tropeçado, por me ter perdido e encontrado vezes sem conta na poesia do Edmundo. Já dizia o Valete: “ tavam todos concentrados, perplexos, embasbacados, a ver os resultados do Mundo e os versos silábicos. Mundo, ninguém percebia onda a rima caía. Mundo, transformava palha em poesia. Bem antes da banalização e dos morangos, bem antes da fama e do cifrão ser importante. Bem antes do Sá leão, do Melão e do Sandro, quando era só skills, transpiração e sangue”. Muitas das vezes encontrei soluções para os meus problemas. Se a música resolve problemas? Sim, quando elas são um pouco de ti e tu um pouco delas. Como diz o Fuse e muito bem: “Retrato o terror da paisagem num poema, o meu amor nasceu num concerto de Dealema. A tempestade é intensa mas a chama ainda acende. Para sempre é muito tempo, eu quero amar-te no presente”. É aqui que bates contra a parede e percebes quando as histórias dos outros passam a ser também a tua história. Quando o amor nasce. E quando partilhas a mesma paixão por alguma coisa.

Em breve, deixarei por aqui reflexões sobre cada uma das faixas do novo álbum. De mim para mim.

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Um nome, esse sim, que fica: Tordo.

É com grande tristeza, que leio a dor de um filho nesta carta ao pai. É também com grande indignação que leio comentários de pessoas que não compreendem o que é abandonar um país. Uma família. Uma vida.

O João Tordo é para mim, o melhor escritor da actualidade em portugal. Foram vários os post’s que escrevi aqui no blog em relação às obras que li da sua autoria. Costuma dizer-se que quem sai aos seus, não degenera. Não podia estar mais correcto.

Não será normal, um homem com 65 anos, cansado de um país como o nosso, abandoná-lo? Um homem que deu tanto à nossa cultura, que sempre lutou por este país, vê-se hoje obrigado a abandoná-lo. Se é por obrigação ou vontade, sinceramente não sei responder. Acho que talvez um pouco de ambos. Mas quem somos nós para julgar as decisões de quem admiramos? Quem é esta gente, que vê centenas de pessoas a emigrar por ano ou até mais (a estatística neste momento não me importa) para fazer comentários maldosos a uma pessoa que simplesmente não tinha mais como ficar?

Estas coisas entristecem-me. Entristece-me que uma pessoa conhecida tenha de aguentar este mediatismo todo. Isto porque quando somos quem somos, as pessoas acham que podem dizer tudo o que querem. Mas na verdade, o Fernando não perguntou a ninguém se queriam que ele se fosse embora. A essa pergunta, eu tenho a certeza que todos saberíamos a resposta. Ele, como responsável pela sua vida, anunciou que ia partir. E nós, não somos ninguém para contestá-lo. É triste ver os grandes nomes de Portugal partirem. Mas muitas das vezes, a isso são obrigados.
O próprio Saramago entendeu o mesmo. E morreu em paz.

Voltando a falar do mediatismo a que estas pessoas estão expostas, por fazerem simplesmente aquilo de que são dotadas… tenho ainda mais pena, que o coração de um filho não suporte tais comentários e tenha de recorrer ao melhor que sabe fazer para demonstrá-lo. Acredito que para ele não será fácil ter de se envolver nesta polémica. Se bem que pelo que conheço do João, ele  não se importa nem um pouco com este tipo de mediatismos. Mas afinal… qual seria o filho que aguentaria?

Só tenho a desejar tudo de bom ao Fernando Tordo. Quer seja aqui, no Brasil ou em qualquer parte do mundo. Somos donos de nós próprios (enquanto pudermos). Vai continuar a ser o mesmo homem de sempre e vai continuar com certeza a fazer o que melhor sabe: música.

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The Yeatman

Sou uma completa apaixonada pelo Porto. Uma daquelas paixões pelo desconhecido. Só estive no Porto de passagem, sem nunca parar para explorar a cidade.
Há uns dois ou três anos que digo insistentemente que vou visitá-lo, mas infelizmente nunca se proporcionou.Há qualquer coisa de mágico e de masculino naquela cidade.
Um ar rústico e encantador que chama por mim a todas as horas. Há uma ligação entre mim e a cidade sem nunca nos termos conhecido.

Eis que, enquanto navegava pela Internet, descobri (não pelas melhores razões, nem pelos melhores motivos), um hotel deslumbrante. Acabei de perceber que antes de morrer, tenho de passar por este sítio.
Tenho definitivamente de me perder nesta vista para me puder encontrar. Pode algo tão simples ser tão belo? Pode.. e se pode. Percam-se comigo.

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Será isto a liberdade?

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– Kafka à beira-mar,  de Haruki Murakami

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